Gostaria tanto de me abandonar, me esquecer, dormir.
Mas não posso, eu sufoco: a existência me penetra de todos os lados,
pelos olhos, pelo nariz, pela boca... E, de repente, num instante,
o véu se rasga, eu compreendi, eu vi. - Não posso dizer que me sinto
aliviado ou contente; ao contrário, isto me esmaga. Mas minha finalidade
foi atingida: eu sei o que eu queria saber; tudo o que me aconteceu depois
do mês de janeiro, eu compreendi. A Náusea não me abandonou e creio
que não me abandone tão cedo: mas já não a sofro, não é mais uma doença
ou uma febre passageira: eu sou a Náusea.
(La Nausée, Sartre)

